“QUEREM CALAR A BOCA DO SITE TL NOTÍCIAS E FECHAR O PORTAL”: Jornalista denuncia pressão familiar para não divulgar problemas da Prefeitura e da Câmara e diz: “Vou lutar pelo povo sim, custe o que custar”

Em uma das mensagens de tom ameaçador enviada a Marco nesta segunda-feira (07) e de seu irmão Fábio Campos chegou a dizer que “se ele era “homem pra isso” em publicar esta matéria e que até cortaria seu sac........”. Outra mensagem de sua mãe Toninha Campos também diz: “Agora aguenta as consequências”

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“QUEREM CALAR A BOCA DO SITE TL NOTÍCIAS E FECHAR O PORTAL”: Jornalista denuncia pressão familiar para não divulgar problemas da Prefeitura e da Câmara e diz: “Vou lutar pelo povo sim, custe o que custar”

 

 

O jornalista Marco Campos, proprietário do portal TL Notícias e sócio da Rádio Caçula de Três Lagoas, decidiu tornar pública uma situação que afirma estar enfrentando dentro da própria família. Honrar pai e mãe é princípio bíblico; aceitar injustiça é outra coisa. Família se respeita, mas negócio se resolve com transparência, direitos e deveres.

Existe um velho ditado de que dinheiro não compra família, mas muitas vezes é justamente por causa dele que surgem algumas das maiores brigas dentro de casa. Para Marco Campos, é doloroso ver uma relação familiar chegar a esse ponto. “Dinheiro se recupera. Família, respeito e história são muito mais difíceis de reconstruir”, desabafa o jornalista.

Marco Campos afirma que, apesar das dificuldades, não pretende desistir da Rádio Caçula nem da história construída por seu falecido pai, Romeu Campos Júnior. Para ele, preservar esse legado significa manter viva uma comunicação voltada aos interesses da população de Três Lagoas.

“Enquanto eu tiver forças, vou lutar pelo legado do meu pai e por uma Rádio Caçula que continue servindo e dando voz à população três-lagoense”, afirma.

PORQUE MARCO DECIDIU DESABAFAR AGORA?

Marco Campos afirma que decidiu tornar a situação pública após receber uma notificação Judicial de sua própria mãe que busca interesse financeiros para ele extinguir a página do TL Notícias, inclusive envolvendo a página, rede social e o domínio do portal.

Para o jornalista, esse episódio foi o limite depois de sucessivas pressões que relata ter sofrido. “Nunca imaginei chegar a esse ponto dentro da minha própria família. Estou desabafando porque não vou abrir mão do trabalho que construí nem do meu direito de informar e dar a verdadeiro voz a população esquecida pelos governantes”, afirma.

Segundo seu relato, cobranças para que diminua ou interrompa totalmente publicações sobre problemas da administração municipal teriam sido acompanhadas de restrições financeiras e societárias.

A ordem de Fábio Campos, apresentador do programa Ronda Policial e Toninha Campos é que Marco Campos “feche seu site” e extingue até o domínio do eletrônico do portal, caso contrário não tem acordo e ele (Marco Campos) vai passar até fome por cortarem seu dinheiro da sociedade da emissora Rádio Caçula, que é de pleno direito do sócio Marco Campos.

O jornalista sustenta que as divergências aumentaram após matérias do TL Notícias envolvendo reclamações da população e cobranças à administração do prefeito Cassiano Maia e Câmara Municipal de Três Lagoas.

Segundo ele, sua mãe, Toninha Campos, sócia majoritária da emissora, e seu irmão, Fábio Campos, passaram a pressioná-lo para que mudasse sua atuação editorial.

“ESTOU PAGANDO FINANCEIRAMENTE POR NÃO FICAR CALADO”

Marco afirma que valores que anteriormente recebia relacionados à empresa familiar devido sua parte da sociedade foram interrompidos por completo e totalmente restringidos, deixando-o sem renda, situação que, segundo ele, passou a comprometer sua renda e o cumprimento de despesas pessoais e familiares.

Ele também relata que, embora seja sócio da Rádio Caçula, estaria enfrentando dificuldades para acessar as dependências da empresa e obter informações sobre receitas, despesas, faturamento, contratos e movimentação financeira, além de questionar a forma como as contas societárias vêm sendo apresentadas.

“ONDE ESTÁ A PRESTAÇÃO DE CONTAS?”

Marco Campos também questiona a prestação de contas da Rádio Caçula. Segundo ele, apesar de ser sócio da empresa, afirma que não recebe regularmente demonstrativos detalhados sobre receitas, despesas, faturamento e demais movimentações financeiras, nem teria acesso suficiente aos documentos para acompanhar a situação da emissora.

Marco cobra da sócia majoritária, Toninha Campos, sua mãe,  transparência sobre esses números. “Não estou acusando ninguém de desviar dinheiro. Quero apenas aquilo que considero básico dentro de uma sociedade: saber quanto entra, quanto sai, onde é gasto e qual é a situação financeira real da empresa”, afirma.

O artigo 1.020 diz que o administrador têm obrigação de prestar aos sócios contas justificadas da administração e apresentar anualmente inventário, balanço patrimonial e balanço de resultado econômico, que não acontece há anos.

O art. 1.021 também estabelece, salvo regra específica, que o sócio pode examinar livros, documentos, caixa e carteira da sociedade.

O Código Civil estabelece deveres de prestação de contas e direitos de fiscalização dos sócios em determinadas estruturas societárias.

Marco afirma que pretende buscar esses esclarecimentos pelos meios legais junto a Justiça e diz ter plena confiança no Poder Judiciário.

MENSAGENS E VÍDEOS FORAM PRESERVADOS

Segundo o jornalista, conversas de WhatsApp, vídeos e outros registros relacionados às cobranças foram preservados. Marco afirma que esse material será apresentado à Justiça para demonstrar o contexto das divergências.

Ele sustenta que não pretende resolver a disputa por ataques pessoais e que caberá às instituições competentes analisar documentos, contratos e demais elementos apresentados pelas partes.

A própria Constituição garante que lesão ou ameaça a direito pode ser submetida à apreciação do Poder Judiciário.

JORNALISTA PODE COBRAR UMA PREFEITURA?

Pode e deve, desde que respeitados os limites legais.

A Constituição estabelece que é livre a manifestação do pensamento, protege a atividade de comunicação e assegura o acesso à informação. Ao mesmo tempo, também protege honra, imagem, intimidade e direito de resposta.

O artigo 220 é ainda mais específico em relação ao jornalismo: determina que manifestação, expressão e informação não sofrerão restrições incompatíveis com a Constituição e estabelece proteção à plena liberdade de informação jornalística.

Isso não significa liberdade para acusar alguém falsamente. Significa que um veículo pode fiscalizar, questionar e criticar uma administração pública, desde que trabalhe com fatos, documentos, interesse público e responsabilidade.

É justamente essa a linha que Marco afirma pretender manter.

“Não quero perseguir prefeito, secretário ou vereador. Quando a população reclama de um problema, quero mostrar e cobrar uma solução. Se a Prefeitura resolver, também vamos mostrar que resolveu. O que não posso aceitar é deixar de fazer uma matéria porque isso pode atingir interesses financeiros”, afirma Marco.

Outro ponto levantado pelo jornalista envolve recursos destinados à publicidade institucional da Prefeitura e da Câmara Municipal.

Marco deixa claro que o recebimento de publicidade institucional por um veículo de comunicação não significa irregularidade. Sua cobrança é por transparência sobre os valores efetivamente recebidos e por esclarecimentos sobre se interesses comerciais estariam relacionados às pressões que afirma sofrer.

DESAFIO À RÁDIO CAÇULA

O jornalista desafia a empresa a apresentar de forma transparente os valores mensais recebidos provenientes da Prefeitura e da Câmara e sustenta que, os recebimentos das publicações são legais com recebimentos mensais de agência de publicidade. ‘Mostre Toninha ao povo o quanto recebe mensalmente da prefeitura e câmara de vereadores, você Toninha que lutava tanto pelo povo não tem o que esconder”; disse.

UMA DIVERGÊNCIA QUE CHEGOU À PRÓPRIA FAMÍLIA

Marco também diz viver uma situação especialmente dolorosa por envolver sua mãe. Segundo ele, durante muitos anos Toninha Campos utilizou o microfone para cobrar autoridades e defender reivindicações da população de Três Lagoas.

Hoje, na avaliação pessoal de Marco, a preocupação com interesses financeiros da empresa teria passado a pesar e recuar quanto as críticas a órgãos públicos, que deveria ter um respaldo da imprensa para ajudar e solucionar o problema da população.

“NÃO ESTOU ACIMA DA LEI — MAS TAMBÉM NÃO VOU ABRIR MÃO DOS MEUS DIREITOS”

Marco afirma que continuará exercendo sua atividade jornalística dentro da legislação e que inclusive possui seu registro profissional de Jornalista ativo.

A Constituição protege a liberdade jornalística e para Marco Campos, entretanto, dificuldade financeira não será motivo para abandonar pautas de interesse da população:

“Podem discordar de mim. Podem responder às matérias. Podem apresentar documentos mostrando que estou errado. Isso faz parte da democracia. O que eu não vou aceitar é trocar minha liberdade jornalística pelo meu sustento.

O TL Notícias continuará ouvindo a população sempre, custe o que for preciso, estarei ao lado sempre dos menos favorecidos que precisam de ajuda.”

NÃO VOU DEIXAR O LEGADO DA NOSSA FAMÍLIA SER JOGADO NA LAMA”, DO MEU PAI ROMEU

Marco Campos afirma também estar preocupado com a situação interna da Rádio Caçula. Segundo seu relato, colaboradores estariam enfrentando dificuldades relacionadas a pagamentos, dívidas estariam se acumulando e já existem várias demandas de ex-colaboradores, questões que, segundo ele, já estão sendo apuradas pela Justiça, no Ministério do Trabalho.

Marco diz ainda que não estaria tendo acesso adequado às dependências e às informações financeiras da empresa, situação que afirma não aceitar.

Para o jornalista, a discussão vai além de dinheiro. Ele ressalta que pretende defender a história construída por seu pai, Romeu Campos Júnior, e pelo fundador da emissora, seu avô. “Não vou assistir ao legado construído pela minha família durante tantos anos ser jogado na lama. Quero transparência, organização e respeito à história da Rádio Caçula”, afirma.

DIREITO DE RESPOSTA

O espaço permanece aberto para TONINHA Campos e Fábio Campos, Rádio Caçula, Prefeitura de Três Lagoas e Câmara Municipal caso queiras apresentar suas versões, documentos e esclarecimentos sobre todos os pontos mencionados nesta reportagem.

Fonte: Da Redação

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