Luz cortada, ações trabalhistas contra Rádio Caçula e agora vem à tona o caso do sócio que não recebe sua parte de sócio na emissora: “Já estou passando dificuldades financeiras”
“A manifestação pública decorre da liberdade de expressão assegurada pelo art. 5º, IV e IX, da Constituição Federal. Na condição de sócio, Marco também invoca os direitos de fiscalização e acesso às informações da sociedade previstos no Código Civil, especialmente nos arts. 1.020 e 1.021”
O jornalista Marco Campos, integrante do quadro societário da Rádio e Televisão Caçula LTDA de Três Lagoas e responsável pelo portal TL Notícias, afirma que não pretende assistir ao legado construído pelo seu avô e pai terminar em meio a dificuldades financeiras, disputas judiciais e conflitos entre os próprios sócios.
A história da Rádio Caçula está diretamente ligada à família Campos. O fundador da emissora foi Romeu de Campos, e posteriormente a direção passou para seu filho, Romeu Campos Júnior, pai de Marco. Após a morte de Romeu Campos Júnior, em 2022, a emissora passou a ser administrada pela família.
É justamente esse legado que Marco afirma querer preservar.
“Não vou deixar o legado da minha família acabar desta forma. Meu pai dedicou uma vida à Rádio Caçula. Antes dele, meu avô construiu essa história. Não quero ver uma emissora que durante décadas esteve ligada à população de Três Lagoas terminar cercada por dívidas, processos, problemas trabalhistas e conflitos internos”, afirma o jornalista.
SÓCIO, MAS SEM ACESSO ÀS CONTAS
Marco possui 19,5% das cotas da Rádio Caçula e relata que está sem receber valores que entende serem devidos em razão de sua participação societária.
“Nem mesmo prestação de contas eles fazem ou fizeram desde a morte do meu pai. Não sei quanto gasta, quanto lucra e nem mesmo quem é contratado ou não no quadro de colaboradores da rádio. Este direito de saber é meu, resguardado por lei, mas minha mãe Toninha Campos e meu irmão Fábio, sempre escondem isso”.
Segundo ele, a situação já começou a provocar dificuldades financeiras pessoais. “Tenho esposa, casa e contas à pagar e estão me deixando desta forma para CALAR MINHA BOCA e não falar de políticos da cidade. TUDO PELO INTERESSE FINANCEIRO E POLÍTICO. Envolveu dinheiro a história muda”, desabafa Marco.
O jornalista também afirma que, apesar de ser sócio, não tem acesso às contas e à movimentação financeira da empresa, incluindo informações que considera necessárias para compreender a real situação econômica da emissora.
Dados cadastrais consultados indicam que a Rádio e Televisão Caçula Ltda. permanece ativa e possui atualmente como sócios sua mãe, o irmão e ele, o jornalista Marco.
DIFICULDADES FINANCEIRAS E QUESTÕES TRABALHISTAS
Marco também afirma que a emissora enfrenta dificuldades financeiras e relata problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica, incluindo situações de corte de luz.
Além disso, existem processos trabalhistas envolvendo a Rádio e Televisão Caçula Ltda. Um processo que tramita na 2ª Vara do Trabalho de Três Lagoas, por exemplo, tem a emissora como parte reclamada e audiência designada para 25 de setembro de 2026. Pagamentos atrasados mensalmente de funcionários da emissora também fazem parte da história.
Para Marco, o conjunto desses episódios demonstra que a situação da empresa precisa ser discutida entre os sócios com transparência e responsabilidade.
Ele afirma que não pretende transformar a disputa em uma briga exclusivamente financeira, mas em uma discussão sobre o futuro da empresa que pertence à história de sua família.
O CONFLITO COM O TL NOTÍCIAS
Paralelamente às questões societárias, Marco relata que passou a sofrer pressão por causa dos conteúdos políticos da atual administração publicado pelo TL Notícias, portal que mantém de forma independente.
Segundo o jornalista, sua mãe, e seu irmão, também sócio da emissora, estariam insatisfeitos com matérias publicadas pelo portal envolvendo a administração municipal de Três Lagoas.
Marco afirma que vem sendo pressionado a reduzir e de imediato, interromper publicações e fechar o site TL NOTÌCIAS, devido publicações consideradas negativas ou críticas à Prefeitura da gestão de Cassiano Maia e Câmara Municipal.
Ele sustenta que não aceita que sua participação societária na Rádio Caçula seja utilizada como forma de pressionar ou limitar a linha editorial do TL Notícias.
“Uma coisa é a sociedade da Rádio Caçula. Outra coisa é o meu trabalho jornalístico no TL Notícias. Não vou trocar o direito de informar a população pelo recebimento de valores da sociedade”, afirma.
“NÃO QUERO VER A RÁDIO CAÇULA ACABAR”
Segundo Marco, o que está em discussão vai muito além do dinheiro que afirma ter deixado de receber.
Ele diz estar preocupado com o futuro da emissora e com o patrimônio histórico construído pela família ao longo de décadas.
“Eu não quero ver a Rádio Caçula acabar. Não quero ver o nome do meu pai e do meu avô associado a uma empresa mergulhada em problemas financeiros, ações trabalhistas, dificuldades com energia elétrica e uma disputa entre os próprios familiares. O que eu quero é transparência, organização e respeito ao legado da nossa família”, afirma.
DISPUTA CHEGOU À JUSTIÇA
O conflito familiar e societário também chegou ao Judiciário.
Marco afirma que existe uma ação envolvendo o TL Notícias e que há divergências sobre a continuidade do portal, incluindo questões relacionadas ao domínio e às redes sociais.
Em publicação anterior, o jornalista também tornou públicas suas alegações de pressão para interromper matérias sobre a administração municipal e afirmou que os pagamentos relacionados à sua participação societária teriam sido interrompidos.
A PERGUNTA QUE FICA
Marco afirma que pretende continuar utilizando as vias legais para buscar informações sobre a empresa, prestação de contas e os valores que entende serem devidos pela sua participação societária.
Ao mesmo tempo, diz que continuará produzindo conteúdo no TL Notícias sem aceitar, segundo ele, que sua atuação jornalística seja condicionada à relação familiar ou societária.
A Rádio Caçula continua sendo uma empresa ativa e registrada, mas o conflito atual coloca uma questão central para os próprios sócios: Qual será o futuro da emissora e como a família pretende preservar uma história construída ao longo de décadas?
"Uma mãe e o irmão fazer isso realmente mostra que a ganância e dinheiro comandam", disse Marco.
OUTRO LADO
O espaço permanece aberto para Toninha Campos e Fábio apresentarem documentos, esclarecimentos e suas respectivas versões sobre os fatos.
“A manifestação pública decorre da liberdade de expressão assegurada pelo art. 5º, IV e IX, da Constituição Federal. Na condição de sócio, Marco também invoca os direitos de fiscalização e acesso às informações da sociedade previstos no Código Civil, especialmente nos arts. 1.020 e 1.021.”
Fonte: Da Redação
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