Especial TL Notícias – 4ª reportagem: De pequena vila à potência mundial da celulose, Três Lagoas transformou sua história
Dos caminhos de terra e da pecuária aos trilhos, Jupiá e à industrialização
Quem observa hoje Três Lagoas, com grandes indústrias, intenso movimento de caminhões, expansão imobiliária e investimentos bilionários na região, talvez tenha dificuldade para imaginar que toda essa história começou com uma pequena vila, ruas de terra e uma economia essencialmente ligada ao campo.
Nesta quarta reportagem da série especial do TL Notícias sobre a história e as transformações de Três Lagoas, voltamos no tempo para mostrar como o município atravessou diferentes ciclos até conquistar projeção nacional e internacional.
Tudo começou muito antes das grandes indústrias
A história da ocupação da região remonta ao século XIX, em terras que já eram habitadas e percorridas por povos indígenas e que posteriormente passaram pelo processo de ocupação não indígena, com nomes como Antônio Trajano dos Santos ligados à formação histórica do município.
O pequeno núcleo populacional cresceu lentamente. Naquele período, não existiam avenidas movimentadas, grandes bairros ou chaminés industriais. As ruas eram simples, muitas ainda de terra, e a agropecuária tinha papel fundamental na economia.
Aquela pequena localidade, porém, estava prestes a viver sua primeira grande transformação.
O trem mudou o destino de Três Lagoas
A chegada da ferrovia foi decisiva. Os trilhos colocaram Três Lagoas em uma nova rota de circulação de pessoas, mercadorias e riquezas, aproximando a região de outros centros econômicos.
Durante décadas, a ferrovia não foi apenas um meio de transporte. Ela ajudou a formar bairros, movimentou o comércio, criou empregos e participou diretamente da construção da identidade três-lagoense.
A antiga estação ferroviária, que permanece no coração da cidade, é uma lembrança física daquele período em que o apito do trem representava desenvolvimento.
Jupiá escreve outro capítulo gigantesco
Décadas depois, Três Lagoas passaria novamente por uma profunda transformação.
Nos anos 1960, a construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, no Rio Paraná, trouxe milhares de trabalhadores para a região e modificou a economia e a própria estrutura urbana.
Novos moradores chegaram, o comércio cresceu e a demanda por moradia e serviços aumentou.
A gigantesca obra representava uma nova fase: Três Lagoas começava a deixar definitivamente as características de uma pequena cidade do interior para assumir importância estratégica na economia regional.
Vieram as indústrias
A partir das décadas seguintes, especialmente com o avanço da industrialização, outra transformação começou.
A localização estratégica de Três Lagoas, próxima ao Estado de São Paulo, a disponibilidade logística, a energia e a expansão das áreas de florestas plantadas ajudaram a criar condições para receber grandes investimentos.
Mas ninguém imaginava a dimensão que essa transformação alcançaria.
A chegada dos grandes projetos ligados à celulose e ao eucalipto mudou novamente a economia municipal.
Milhares de trabalhadores chegaram. Hotéis, restaurantes, supermercados, imobiliárias, transportadoras e prestadores de serviços passaram a sentir diretamente os efeitos dessa nova fase.
De cidade pecuária à Capital Mundial da Celulose
A transformação foi tão expressiva que Três Lagoas passou a ser conhecida como Capital Mundial da Celulose.
Hoje, produtos fabricados no município atravessam oceanos e chegam a mercados internacionais.
Dados divulgados pelo Governo de Mato Grosso do Sul mostram a enorme participação de Três Lagoas no comércio exterior industrial do Estado, impulsionada principalmente pelo complexo de papel e celulose.
É uma realidade quase inimaginável quando comparada àquela pequena vila formada há mais de um século.
A antiga cidade dos trilhos tornou-se também a cidade das grandes fábricas.
Entre os maiores PIBs municipais
O crescimento industrial também colocou Três Lagoas em posição de destaque nos indicadores econômicos.
O município passou a figurar entre as cidades brasileiras de maior Produto Interno Bruto, além de ocupar posição de protagonismo na economia de Mato Grosso do Sul.
Mas crescimento econômico também produz desafios.
Mais moradores significam maior necessidade de habitação, saúde, escolas, trânsito, saneamento, infraestrutura e serviços públicos. O desafio atual não é somente continuar atraindo bilhões em investimentos, mas fazer com que essa riqueza também se transforme em qualidade de vida para quem mora na cidade.
Uma cidade que nunca parou de se transformar
Três Lagoas já foi marcada pela pecuária.
Depois vieram os trilhos.
Jupiá trouxe milhares de trabalhadores.
As indústrias abriram uma nova fase.
E a celulose colocou o nome da cidade no mercado mundial.
Poucas cidades brasileiras experimentaram mudanças econômicas tão profundas em pouco mais de um século.
Nesta quarta reportagem especial, portanto, a história mostra algo que o três-lagoense vê diariamente: Três Lagoas nunca permaneceu a mesma por muito tempo.
A pequena vila cresceu, atravessou ciclos econômicos, recebeu gente de diferentes partes do Brasil e se transformou em uma cidade industrial de importância internacional.
E sua transformação ainda não terminou
Na próxima reportagem da série especial do TL Notícias, novos capítulos, personagens e curiosidades vão continuar resgatando a memória de uma Três Lagoas que muita gente viveu — e que as novas gerações precisam conhecer.
Fonte: Marco Campos / Da Redação
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