'País precisa de uma nova previdência sob risco de ver o futuro inviabilizado', diz ex-deputado federal e ex-ministro

Carlos Marun relembra missão que teve para tentar aprovar projeto, pontos positivos e outros que não ficaram claros para a população, além da "conspiração" com antigo governo.

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'País precisa de uma nova previdência sob risco de ver o futuro inviabilizado', diz ex-deputado federal e ex-ministro

O ex-deputado federal e ex-ministro da secretaria de governo do ex-presidente Michel Temer, Carlos Marun, participou do quadro Papo das Seis, no Bom Dia MS, desta segunda-feira (18). Ele comentou um pouco da sua trajetória até chegar ao atual cargo de conselheiro da Itaipu binacional, além da missão que tinha de conseguir a reforma da previdência. Na época, o texto chegou a ser aprovado em uma comissão especial, mas, aí surgiu denúncia dos irmãos Batista envolvendo o ex-presidente e o projeto então ficou em segundo plano.

"Esta comissão que aprovou a reforma da previdência foi presidida por mim, então eu sou um dos poucos que fez o dever de casa, fiz o que o Brasil precisava que fosse feito, que é aprovar a reforma da previdência. Na sequência, o governo foi vítima daquela conspiração, uma conspiração que atrapalhou o governo e o Brasil. Depois, vencida a conspiração, havia se aproximado muito o momento da eleição e nos faltaram as condições políticas para promover essa aprovação", afirmou Marun.

Na época, ele também comenta que o entrave ocorria porque os parlamentares não queriam passar por nenhum desgaste. "Eu fazia um cálculo que tínhamos 100 deputados que se diziam indefinidos e precisávamos de cerca de 50 votos naquele momento. Estava aberto o jogo, por isso que eu insisti, o governo insistia na votação. Todavia, o parlamento na época, o próprio presidente Rodrigo Maia e os líderes da base, em discussões conosco e com o governo, só aceitavam colocar em votação se tivesse uma garantia de que ela seria aprovado, entendiam que seria um desgaste muito grande colocar em votação e um ano de eleição e a aprovação não acontecer, por isso que estamos até hoje ainda avançando neste processo com dificuldade. Agora, uma coisa o governo Temer fez e foi colocar isso na pauta. Um assunto que virou nacional", ressaltou.

Sobre os pontos positivos e outros que não ficaram claros para a população, Carlos Marun ressalta que houve uma "forte campanha publicitária".
"Nós fizemos o que pudemos naquele momento. Fizemos uma campanha inclusive publicitária forte que fez com que, ao final do processo, quando nós fomos obrigados a reconhecer que não tínhamos essa condição, já menos de 50% da população fosse absolutamente contra a reforma, destacamos os pontos...e que é, qual é o básico da reforma? Estamos vivendo mais felizmente, isso é real, então temos que trabalhar um pouco mais antes de nos aposentarmos. Uma reforma que requer uma idade mínima para aposentaria e com uma previdência menos desigual, não é possível que convivo no nosso sistema previdenciário um sujeito que recebe um salário mínimo e sujeito com mais de R$ 30 mil como previdência, então tornar a previdência menos desigual. Estes são os dois pontos principais e que são justos e que viabilizam economicamente para os próximos muito bom, é muito semelhante ao mesmo a base do projeto ela é igual, o que mudou foram pontos específicos reabertura do processo emenda aglutinativa erramos imediatamente após a eleição nosso governo, conversando com o governo que ia assumir com algumas alterações, mas, com muitas dificuldades. E vou dizer pra você: o dia que o governo mais vai perdendo musculatura eu vencida a eleição, eu estava em Brasília para que nós tentássemos aprová-la ainda no ano passado, é natural, é compreensível não tinha examinado não houve uma união de pensamentos...", avaliou.

Marun ainda comentou a "perda de protagonismo nacional do seu partido", o MDB. Na câmara federal, de 66 deputados agora passou a 34. No senado, de 19 agora são 12. Em 2014, 7 governadores eleitos e, nas últimas eleições, apenas 3. Em Mato Grosso do Sul, a assembleia legislativa que tinha 6 deputados agora tem só tem 3. Nenhum deputado federal também foi eleito pelo partido e também houve perda nas eleições para governador e prefeito de Campo Grande.

"O MDB não perdeu. O MDB não ganhou. São vários os competidores e ele foi um. O MDB é um partido que, nos últimos tempos, fez a coisa. Nós fizemos um documento, o Ponte para o Futuro, e chegamos ao poder antes do que pensávamos...o MDB colocou em prática exatamente o que havia dito. E nós iniciamos sob o comando de Michel Temer, melhor presidente da história da república por hora de mandato. Nosso governo foi um governo de dois anos. Nós iniciamos um processo de reforma que fez com que, em dois anos repito, nós pudéssemos entregar um país melhor do que recebemos para um presidente democraticamente eleito", ressaltou.

Marun ainda fala sobre a filosofia do partido, número de homicídios e também assuntos relacionados a Mato Grosso do Sul.

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Fonte: G1 MS

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