Quem se lembra? Passagem de trem que dividiu ao meio Três Lagoas ao fazer manobras: Motoristas esperavam na fila para chegarem em casa ou ao trabalho
A cidade cresceu, novas ruas foram abertas, antigos espaços ferroviários ganharam outras funções e as novas gerações talvez nem consigam imaginar como era viver numa cidade literalmente atravessada pelos trilhos
Quem vive em Três Lagoas há mais tempo certamente guarda na memória uma cena que desapareceu da rotina da cidade: A locomotiva atravessando a área urbana, puxando uma longa composição e obrigando motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres a esperar para conseguir passar de um lado para o outro dos trilhos.
Durante décadas, a antiga linha férrea da Noroeste do Brasil (NOB) fez parte da história e do desenvolvimento de Três Lagoas. Mas ela também criou uma divisão tão marcante que surgiram expressões populares como “do lado de cá” e “do lado de lá da linha”.
Não é apenas lembrança de morador. Os moradres mais antigos ao contar a história da cidade, reconhece que a ferrovia criou essa divisão geográfica: De um lado ficavam principalmente a região central e comercial; do outro, bairros antigos e residenciais.
QUANDO O TREM VINHA, ERA HORA DE ESPERAR
E quem se lembra dos horários de pico? Para muitos três-lagoenses, bastava ouvir o trem se aproximando para saber que o compromisso poderia atrasar. Conforme relatos de moradores daquela época, quando uma composição extensa cruzava a cidade, a espera nas passagens podia chegar a vários minutos, especialmente quando havia muitos vagões.
Era justamente na hora em que muita gente queria levar os filhos às escolas, ir ao trabalho e ir e voltar para casa após mais um dia de trabalho.
Dados desta época indicam que as longas composições chegavam a bloquear simultaneamente as poucas passagens existentes, provocando trânsito, transtornos e atrasos.
Quem estava com pressa reclamava. Quem estava atrasado ficava ainda mais nervoso. Mas não tinha jeito: Era esperar o último vagão passar.
E QUANDO ERA UMA EMERGÊNCIA?
Havia ainda uma preocupação muito mais séria do que simplesmente chegar atrasado. Antes da atual estrutura de atendimento móvel de urgência da cidade, o SAMU e ambulâncias de empresas privadas, existia um único serviço de resgate, Corpo de Bombeiros que tinha papel fundamental nos resgates.
A ferrovia atravessando a área urbana podia representar mais um obstáculo à circulação entre diferentes regiões.
Essa preocupação com segurança e mobilidade, aliás, esteve entre as justificativas oficiais para retirar o tráfego ferroviário da região central. Estudos sobre o novo traçado destacavam justamente a necessidade de eliminar conflitos entre trens, veículos e pedestres, melhorando a rapidez dos deslocamentos urbanos.
DE TREM DE PASSAGEIROS ÀS GRANDES COMPOSIÇÕES DE CARGA
Para os moradores mais antigos, porém, a ferrovia também desperta boas lembranças. Em décadas passadas, os trilhos não representavam apenas os grandes trens de carga que as gerações mais novas conheceram. A ferrovia esteve ligada ao transporte de cargas, passageiros e à própria formação histórica de Três Lagoas.
Com o passar dos anos, essa imagem mudou. Nos últimos tempos da linha atravessando a cidade, o cenário mais comum era o das locomotivas puxando extensas composições, enquanto motoristas aguardavam nas passagens em nível. Era incômodo para muitos, mas virou parte da memória coletiva da cidade.
TUDO MUDOU EM DEZEMBRO DE 2014
A grande transformação aconteceu em 16 de dezembro de 2014. Naquele ano, os trens começaram a utilizar o novo Contorno Ferroviário, e a antiga linha que atravessava o perímetro urbano foi desativada. No dia seguinte, 17 de dezembro, a obra foi oficialmente inaugurada.
O investimento divulgado na época superou R$ 36 milhões, em parceria entre os governos estadual e federal. A principal mudança foi justamente retirar definitivamente a circulação das grandes composições ferroviárias do centro urbano.
Parte dos antigos trilhos permaneceu por alguns anos. A retirada continuou posteriormente e, em 2018, ainda havia trabalhos para remover trechos remanescentes da antiga ferrovia.
Hoje, quem circula pela cidade encontra uma realidade completamente diferente.
O QUE ERA RAIVA VIROU SAUDADE?
Essa talvez seja a parte mais curiosa dessa história. Naquela época, quando o trem aparecia justamente na hora do almoço ou no final do expediente, muita gente provavelmente pensava: “Logo agora esse trem?”
O motorista desligava a pressa e esperava. Passava uma locomotiva, depois outra, vinham os vagões... e parecia que o último nunca chegava.
Hoje, mais de uma década depois da retirada dos trens do centro, aquela irritação virou lembrança de uma Três Lagoas que já não existe mais.
A cidade cresceu, novas ruas foram abertas, antigos espaços ferroviários ganharam outras funções e as novas gerações talvez nem consigam imaginar como era viver numa cidade literalmente atravessada pelos trilhos.
Por isso, o TL Notícias deixa a pergunta para os três-lagoenses mais antigos: Você se lembra de ficar parado esperando aquele enorme trem passar? Já chegou atrasado ao trabalho, ao almoço ou a algum compromisso por causa da ferrovia?
E agora vem a pergunta que talvez provoque ainda mais lembranças: Na época você reclamava. Mas hoje... sente saudade do trem cortando Três Lagoas? Esta é mais uma lembrança que com certeza, ficará marcada por muito três-lagoenses da época.
Fonte: Da Redação
6810
União entre pais e filhos é a força do sucesso: Família dá exemplo e gera empregos em Três Lagoas
Deivison, conhecido como “Miranda”, e sua esposa Jaqueline, juntamente com os filhos Jennifer e Nicolas, trabalham lado a lado nos negócios da família
Deixe um comentário
Quase lá...