“Milhões para festas, mas nem água para beber”: bebedouro quebrado obriga pacientes a levarem água potável de casa em USF de Três Lagoas
A crítica não é contra a realização de festas. A cobrança é para que o básico não seja esquecido enquanto dinheiro público é empregado em grandes eventos
Enquanto milhões de reais são destinados a festas, grandes estruturas e atrações nacionais em eventos promovidos pela Prefeitura de Três Lagoas, uma situação bem mais simples está causando indignação entre moradores que dependem da saúde pública:
Pacientes da USF Chácara Eldorado relataram a reportagem que precisam levar garrafas de água de casa porque o bebedouro da unidade está quebrado há semanas.
É uma cena difícil de explicar para quem procura atendimento médico: Além de documentos, exames e cartão do SUS, usuários passaram a colocar mais um item na bolsa antes de sair de casa: Uma garrafa 2 litros de água potável.
Segundo relatos recebidos, o problema não seria de um ou dois dias. O bebedouro está sem funcionar há semanas e um aviso foi colocado no local alertando sobre a situação.
Pacientes afirmam que chegam a permanecer um período considerável aguardando atendimento e, quando sentem sede, não encontram o bebedouro funcionando. Há relatos ainda de pessoas que teriam solicitado água aos servidores, inclusive da própria torneira, mas não teriam sido atendidas e orientado a trazer a água de casa para beber.
Com isso, moradores dizem estar levando garrafas de um ou até dois litros de água de casa para não passar sede enquanto aguardam atendimento.
Festa tem estrutura; no posto, paciente leva água de casa
A situação provoca questionamentos principalmente diante das prioridades da administração do prefeito de Três Lagoas Cassiano Maia.
Três Lagoas recebeu e continua recebendo grandes eventos e apresentações, enquanto moradores também cobram respostas para problemas básicos do cotidiano.
Na saúde, as reclamações incluem falta de medicamentos e unidades sobrecarregadas. Na infraestrutura, moradores apontam obras paradas ou ainda não concluídas. No setor social, a presença de pessoas em situação de rua em vários pontos da cidade também continua sendo alvo de cobranças.
Agora, uma reclamação aparentemente simples ganha enorme significado: Como uma cidade capaz de bancar grandes eventos e arrecadar milhões em impostos não consegue solucionar rapidamente um bebedouro quebrado dentro de uma unidade de saúde?
Não se trata de luxo
Água potável para uma pessoa que espera atendimento médico é uma necessidade básica.
Entre os pacientes podem estar idosos, crianças, gestantes, pessoas debilitadas e moradores que aguardam consultas, procedimentos ou atendimento de enfermagem. Obrigar essas pessoas a se prevenirem levando água de casa expõe uma situação que merece resposta imediata.
Contraste revolta moradores
O problema também coloca novamente em discussão a forma como os recursos públicos são priorizados.
Festas e eventos movimentam a economia, proporcionam lazer e fazem parte do calendário de uma cidade. Isso, porém, não elimina a obrigação de manter funcionando aquilo que é essencial.
A indignação surge justamente do contraste: De um lado, estruturas milionárias e grandes atrações; do outro, um equipamento básico quebrado durante semanas em um posto de saúde.
O cidadão que paga impostos não deveria precisar escolher entre passar sede ou carregar uma garrafa de dois litros para conseguir aguardar uma consulta e não passar sede.
Prefeitura precisa explicar
A situação da USF Chácara Eldorado exige uma resposta objetiva da Prefeitura de Três Lagoas: por que o bebedouro permanece quebrado, quando será consertado e qual alternativa de água potável está sendo oferecida aos usuários enquanto o problema não é resolvido?
Também é importante esclarecer as reclamações de que pacientes teriam solicitado água e não conseguido atendimento nesse sentido.
A crítica não é contra a realização de festas. A cobrança é para que o básico não seja esquecido enquanto dinheiro público é empregado em grandes eventos.
Para quem depende diariamente da rede municipal, saúde pública não se faz apenas com grandes anúncios. Também se faz com medicamento disponível, atendimento digno, estrutura funcionando e, por mais elementar que pareça, água para beber.
Enquanto isso não acontece na Chácara Eldorado, a orientação informal que os próprios pacientes estão seguindo é constrangedora para uma cidade do porte de Três Lagoas.
Fonte: Marco Campos / Da Redação
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Neste momento, porém, qualquer acusação direta seria precipitada. A prioridade é a recuperação da criança e uma investigação rápida e minuciosa
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