Mais um nas mãos da iniciativa privada? Aeroporto de Três Lagoas poderá ser concedido e promessa é de volta dos voos
Terminal três-lagoense está nos planos de concessão do Governo do Estado; medida pode gerar discussão entre quem espera investimentos privados e quem questiona a transferência da administração de um patrimônio público
O Aeroporto de Três Lagoas poderá ser o próximo terminal de Mato Grosso do Sul a ter sua administração entregue à iniciativa privada.
A possibilidade surge justamente no momento em que a população aguarda uma solução para um problema que há tempos incomoda a cidade: a falta de voos comerciais regulares em um dos municípios que mais recebem investimentos industriais no Estado.
A proposta poderá provocar uma pergunta entre os três-lagoenses: É preciso entregar a administração do aeroporto para uma empresa privada para Três Lagoas conseguir ter avião novamente?
O governador Eduardo Riedel afirmou que o Estado trabalha no processo de concessão dos aeroportos de Três Lagoas, Dourados e Bonito e relacionou o avanço desse projeto à expectativa de retomada dos voos comerciais no município.
AEROPORTO PÚBLICO, ADMINISTRAÇÃO PRIVADA
Popularmente, muita gente chama esse processo de “privatização”. Tecnicamente, porém, existe uma diferença importante.
Em uma concessão, o aeroporto não é simplesmente vendido. A administração e a exploração do terminal são transferidas a uma empresa privada por determinado período, conforme regras e obrigações estabelecidas em contrato.
Ainda assim, significa que uma estrutura pública passará a ter sua operação comandada pela iniciativa privada, cenário que costuma dividir opiniões.
De um lado estão aqueles que defendem que empresas privadas possuem maior capacidade de investir, modernizar terminais e tornar aeroportos mais competitivos.
Do outro, estão os que questionam: por que o poder público não consegue oferecer diretamente uma estrutura eficiente e manter voos regulares em uma cidade economicamente tão importante como Três Lagoas?
TRÊS LAGOAS CRESCE, MAS CONTINUA SEM VOOS REGULARES
Talvez seja esse o ponto que mais incomode. Três Lagoas recebe investimentos bilionários, possui algumas das maiores indústrias do setor de celulose do país e movimenta diariamente empresários, trabalhadores, fornecedores e profissionais de diferentes estados.
Mesmo assim, o passageiro três-lagoense continua sem uma oferta regular de voos comerciais na própria cidade.
Quem precisa viajar de avião frequentemente enfrenta deslocamentos rodoviários para buscar alternativas em outros aeroportos.
Agora, a esperança de ver aviões comerciais novamente na pista aparece associada ao processo de concessão.
CONCESSÃO SERÁ A SOLUÇÃO?
Segundo Riedel, o Governo do Estado chegou ao limite dos incentivos fiscais relacionados ao ICMS sobre o combustível de aviação e busca outros caminhos para tornar a malha aérea regional mais atrativa.
O governador demonstrou confiança de que, após o avanço das concessões, Três Lagoas poderá voltar a ter voos comerciais.
Mas ainda faltam respostas importantes.
Qual empresa administrará o aeroporto? Quanto será investido? Qual será o prazo da concessão? Quais obrigações serão impostas? Haverá cobrança de novas tarifas? E, principalmente, quando o primeiro voo comercial realmente decolará de Três Lagoas?
Até que os detalhes sejam apresentados, essas questões permanecem abertas.
INVESTIMENTO OU ENTREGA? O LEITOR DECIDE
A concessão não deve ser tratada automaticamente como algo positivo ou negativo. Se trouxer investimentos, modernização, novas companhias e voos regulares, poderá representar um avanço importante para Três Lagoas.
Por outro lado, a população tem o direito de cobrar transparência sobre as condições do contrato e garantias de que a mudança efetivamente beneficiará o passageiro, e não apenas quem assumir a exploração econômica do terminal.
Afinal, depois de tanto crescimento e bilhões em investimentos privados chegando ao município, Três Lagoas ainda espera algo básico para uma cidade de sua importância econômica: poder embarcar em um voo comercial sem precisar pegar a estrada primeiro.
Fonte: Marco Campos / Da Redação
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