Guerra judicial entre Guerino e Andorinha pode afetar diretamente Três Lagoas

Decisão recente voltou a impor restrições sobre 23 autorizações da Guerino Seiscento, incluindo ligações que têm Três Lagoas como origem ou destino; disputa ainda admite recurso

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Guerra judicial entre Guerino e Andorinha pode afetar diretamente Três Lagoas

Quem depende de ônibus para sair de Três Lagoas com destino a outros estados precisa acompanhar com atenção a batalha jurídica envolvendo a Guerino Seiscento e a Viação Andorinha. O motivo é simples: a disputa pode ter reflexos diretos sobre linhas que atendem o município.

Uma nova decisão da Justiça Federal, proferida em 12 de agosto de 2026, revogou uma tutela anteriormente favorável à Guerino e fez voltarem a valer medidas cautelares da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) que suspenderam os efeitos de 23 Termos de Autorização da transportadora enquanto são apuradas supostas irregularidades. A decisão ainda admite recurso.

E Três Lagoas aparece várias vezes na relação das autorizações atingidas.

TRÊS LAGOAS ESTÁ DIRETAMENTE NO MAPA DA DISPUTA

Entre as 23 autorizações relacionadas no processo estão ligações como Brasília (DF)–Três Lagoas (MS), Três Lagoas–Curitiba (PR) e diferentes autorizações de Três Lagoas–São Paulo (SP). Também aparecem linhas envolvendo Campo Grande, Brasilândia e outros municípios.

Por isso, o problema está longe de ser apenas uma briga entre duas empresas paulistas.

Qualquer redução efetiva da oferta nessas ligações pode significar menos alternativas de horários e empresas para passageiros três-lagoenses, embora os efeitos concretos dependam de como cada serviço é operacionalizado e das próximas decisões administrativas e judiciais.

A própria Guerino, quando anunciou suspensão temporária de linhas em junho, afirmou que a medida afetava passageiros e comunidades atendidas.

MAS POR QUE GUERINO E ANDORINHA ESTÃO BRIGANDO?

O centro da controvérsia envolve a acusação de que a Guerino teria realizado atendimentos intermunicipais dentro do Estado de São Paulo utilizando linhas interestaduais.

A Andorinha questionou essas operações. A discussão envolve a divisão entre os serviços interestaduais, fiscalizados pela ANTT, e os transportes realizados entre municípios de um mesmo estado, submetidos à regulamentação estadual.

A Guerino contesta as medidas nas esferas administrativa e judicial e argumenta, entre outros pontos apresentados ao longo da disputa, que a paralisação causa prejuízos e reduz opções aos passageiros. Não existe, neste momento, decisão definitiva sobre todo o mérito da controvérsia.

E O PASSAGEIRO DE TRÊS LAGOAS?

É justamente aí que a discussão jurídica vira assunto do cotidiano. Três Lagoas possui forte ligação rodoviária com cidades paulistas e outros grandes centros. Trabalhadores, estudantes, pacientes, empresários e famílias dependem diariamente do transporte interestadual.

Se uma empresa deixa de operar determinada ligação, a preocupação natural é saber se haverá outra companhia atendendo o trecho, quais horários permanecerão disponíveis e quanto custará a passagem.

Não é possível afirmar antecipadamente que todas as passagens ficarão mais caras. Porém, uma eventual diminuição da concorrência e da quantidade de opções disponíveis é uma preocupação legítima para quem depende dessas linhas.

HOJE É GUERRA NOS TRIBUNAIS; AMANHÃ PODE SER PROBLEMA NA RODOVIÁRIA

A situação já passou por diversas reviravoltas em poucos meses. Houve decisões favoráveis à Guerino, recursos, medidas administrativas da ANTT e, agora, nova decisão restabelecendo as restrições sobre as 23 autorizações.

Enquanto advogados discutem competência, autorizações e regulamentação, o passageiro três-lagoense quer algo muito mais simples: comprar a passagem e ter certeza de que haverá ônibus para viajar.

Por isso, quem possui viagem programada em linhas potencialmente atingidas deve confirmar diretamente com a transportadora a situação do serviço antes de se deslocar até a rodoviária.

A disputa entre Guerino e Andorinha pode parecer distante, acontecendo dentro de processos e tribunais.

Mas Três Lagoas está no mapa dessa guerra — e qualquer mudança efetiva na oferta de linhas pode chegar rapidamente à rodoviária e à rotina do passageiro.

Fonte: Marco Campos / Da Redação

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