Longe dos filhos para garantir o pão: Caminhoneiros e motoristas de ônibus de Três Lagoas passam Dia dos Pais na estrada
Não estar presente em uma data tão importante pode doer. Mas para muitos desses profissionais, permanecer na estrada também é uma demonstração de amor
Enquanto milhares de famílias de Três Lagoas se reúnem neste domingo (09) para comemorar o Dia dos Pais, muitos pais vivem uma realidade diferente. Em vez do almoço em família, do abraço dos filhos e das homenagens em casa, eles estão atrás de um volante, enfrentando quilômetros de estrada para garantir o sustento de quem ficou esperando por eles.
É a realidade de muitos caminhoneiros e motoristas de ônibus de Três Lagoas, profissionais que nem sempre conseguem escolher onde estarão em datas comemorativas. Para eles, domingos, feriados, Natal, Ano-Novo e Dia dos Pais muitas vezes são apenas mais um dia de trabalho.
A boleia vira casa e a saudade, companheira
Para um caminhoneiro, uma viagem pode significar vários dias longe de casa. São quilômetros transportando alimentos, combustíveis, madeira, celulose e inúmeros produtos que movimentam a economia brasileira.
Enquanto o pai segue pela rodovia, em casa ficam esposa, filhos e familiares aguardando seu retorno.
Neste Dia dos Pais, muitos receberão os parabéns por uma ligação ou videochamada feita durante uma parada na estrada.
Para os motoristas de ônibus rodoviários, a situação é semelhante. Enquanto levam passageiros para reencontrar suas famílias ou levá-los ao trabalho, muitos deles deixam as próprias famílias em casa.
É uma contradição da profissão: ajudar alguém a chegar para o almoço de Dia dos Pais enquanto o próprio almoço fica para depois.
Três Lagoas vive das estradas
A realidade é ainda mais presente em Três Lagoas por sua localização estratégica. Cortada por importantes rodovias e impulsionada pela indústria, logística, agronegócio e setor de celulose, a cidade possui forte ligação com o transporte rodoviário.
Diariamente, centenas de veículos pesados cruzam as rodovias da região. Dentro de cada cabine existe muito mais do que um motorista profissional: há pais, filhos, maridos e avôs com alguém esperando em casa.
O presente é garantir o sustento da família
Não estar presente em uma data tão importante pode doer. Mas para muitos desses profissionais, permanecer na estrada também é uma demonstração de amor.
É do salário conquistado depois de milhares de quilômetros que saem a comida, o aluguel, a prestação da casa, o material escolar, a roupa dos filhos e tantos outros compromissos familiares.
Neste domingo, talvez não existiu churrasco, presente ou abraço e sim, apenas uma mensagem pelo celular: Para muitos pais da estrada, o melhor presente não cabe em uma caixa: é voltar para casa em segurança e finalmente receber aquele abraço que ficou esperando.
Fonte: Marco Campos / Da Redação
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