De dentro da cadeia, líderes do Comando Vermelho teriam ordenado ataques em Três Lagoas; dupla é transferida para presídio federal

As investigações sobre os ataques ocorridos em Três Lagoas continuam, inclusive para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a participação atribuída a cada investigado

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De dentro da cadeia, líderes do Comando Vermelho teriam ordenado ataques em Três Lagoas; dupla é transferida para presídio federal

Dois presos apontados pela Polícia Civil como lideranças do Comando Vermelho (CV) foram transferidos da Penitenciária Central de Cuiabá (MT) para a Penitenciária Federal de Mossoró (RN) após investigações indicarem que eles continuariam comandando ações criminosas mesmo atrás das grades.

Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva são investigados como possíveis mandantes de pelo menos três ataques ocorridos em Três Lagoas, que, segundo as autoridades, estariam relacionados à disputa entre organizações criminosas.

Ordens teriam saído de dentro do presídio

Segundo a investigação da Polícia Civil, mesmo recolhidos no sistema penitenciário de Mato Grosso, os dois suspeitos continuariam exercendo funções de liderança dentro da organização criminosa.

As apurações indicam que eles teriam mantido contato e influência sobre criminosos que estavam em liberdade, recebendo informações e repassando determinações para ações contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação ganhou força depois de uma sequência de três atentados registrados em apenas três dias em Três Lagoas. Durante as diligências, os investigadores encontraram indícios de que parte das ordens teria partido de dentro da penitenciária de Cuiabá.

Transferência para presídio federal

Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou a inclusão dos dois investigados no Sistema Penitenciário Federal (SPF).

O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e posteriormente foi autorizado pela Justiça Federal.

Conforme a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a medida levou em consideração a suposta elevada periculosidade dos investigados e, principalmente, os indícios de que continuariam interferindo nas atividades da organização criminosa mesmo estando presos.

Com a decisão, Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva foram levados para a Penitenciária Federal de Mossoró, unidade de segurança máxima destinada, entre outros casos previstos em lei, a presos cuja atuação representa risco à segurança pública.

Caso é considerado inédito pelo Governo de MS

Segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, esta foi a primeira vez que um pedido apresentado pelo Estado resultou na transferência direta ao sistema penitenciário federal de presos que estavam sob custódia do sistema prisional de outro Estado.

A Sejusp informou que pretende utilizar o mesmo procedimento em situações semelhantes. Quando investigações apontarem que integrantes de organizações criminosas continuam ordenando ataques, homicídios ou outras ações com reflexos em Mato Grosso do Sul, mesmo presos em outros Estados, poderá ser solicitada a transferência para o sistema federal.

As investigações sobre os ataques ocorridos em Três Lagoas continuam, inclusive para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a participação atribuída a cada investigado.

Fonte: Marco Campos / Da Redação

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