Você se lembra? Quando Três Lagoas acordava com o leiteiro, o pão quentinho e a carroça do bucheiro
Quem era o leiteiro do seu bairro ou os vendedores de pães, doces e bucho?
Em tempos de Pix instantâneo, compras pela internet e pagamentos por aproximação, é difícil imaginar como era a rotina de Três Lagoas há algumas décadas. Mas quem viveu aquela época certamente guarda na memória o som das carroças cruzando as ruas logo ao amanhecer, o cheiro do pão caseiro e uma palavra que hoje parece cada vez mais rara: confiança.
Antes dos supermercados 24 horas e dos aplicativos de entrega, eram os carroceiros e vendedores ambulantes que abasteciam os bairros da cidade. O leite chegava fresquinho, tirado da vaca poucas horas antes, levado de porta em porta pelo leiteiro, que conhecia cada família pelo nome.
Não era preciso cartão, senha ou celular. Bastava o tradicional "anota na caderneta". O famoso caderninho de fiado fazia parte da rotina de praticamente toda casa. O comerciante registrava as compras do dia e, no início ou no fim do mês, o cliente acertava a conta. Tudo baseado na confiança e na palavra.
Muitos três-lagoenses ainda se lembram do carroceiro que passava anunciando sua chegada, vendendo pão francês, pão de queijo, broas, bolos e outras delícias que faziam a alegria das famílias, além do vendedor de bucho que também circulava pelas ruas da cidade. Bastava ouvir o chamado para que crianças corressem até o portão, enquanto os adultos aproveitavam para garantir os produtos.
Era um tempo em que o contato humano fazia parte da compra. O vendedor conversava, perguntava pela família e, muitas vezes, acabava tomando um café oferecido pelo cliente.
Naquela época, o leite era entregue em recipientes reutilizáveis (latões de alumínio), os pães eram entregues aos clientes ainda na carroça e ninguém precisava acompanhar a entrega pelo celular. Tudo acontecia no horário de costume, quase como um compromisso marcado entre o vendedor e os moradores.
Hoje, a realidade é outra. A tecnologia trouxe rapidez, praticidade e inúmeras facilidades. Com poucos toques na tela do celular, é possível comprar praticamente qualquer produto e recebê-lo em casa sem sequer conversar com o entregador. O dinheiro deu lugar ao Pix, aos cartões e às carteiras digitais.
Mas, para muitos, a modernidade também levou embora parte da simplicidade que marcava o dia a dia. As conversas na calçada, a confiança estampada na caderneta de fiado, o leiteiro chegando cedo e o carroceiro anunciando o pão quentinho são lembranças que permanecem vivas na memória de quem ajudou a construir a história de Três Lagoas.
E você, se lembra dessa época? Quem era o leiteiro do seu bairro ou os vendedores de pães, doces e bucho? Você também comprava "na caderneta" ou esperava ansiosamente a passagem da carroça do pão? Compartilhe sua lembrança. Afinal, recordar esses momentos é manter viva uma parte importante da história da nossa cidade.
Fonte: Da Redação
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