Contra a transferência compulsória, estudantes da Rede Estadual manifestam indignação nesta manhã

O manifesto é contra o processo de reordenamento imposto pela Secretaria de Estado de Educação (SED) das turmas do período noturno da Escola Fernando Corrêa, Escola Estadual Prof. Luiz Lopes de Carvalho e da Escola Estadual Padre João Thomes para a Escola Dom Aquino Corrêa, localizada no bairro Santos Dumont.

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Contra a transferência compulsória, estudantes da Rede Estadual manifestam indignação nesta manhã

PRAÇA RAMEZ TEBET– Eles são poucos em quantidade, mas demonstraram a força de uma multidão, na manhã do último sábado (13), reunindo estudantes, pais e um representante da Camara Munipal de Três Lagoas, o vereador Professor Flodoaldo (Solidariedade).

Contra a transferência compulsória, estudantes da Rede Estadual de Ensino manifestam indignação, na manhã deste sábado (13).

Também de maneira organizada, paravam os motoristas no semáforo chamando a atenção da população para a sua luta com faixa, cartáses e o grito de ordem: "Estudante organizado é perigo para o estado!".

Em virtude do novo processo de reordenamento determinado pela Secretaria de Educação do Estado, que acontecerá no próximo dia 17 de julho, início do segundo semestre, neste momento, um pequeno grupo de estudantes está protestando na praça Ramez Tebet, no Centro de Três Lagoas, pois pretendem assim, ganhar visibilidade sobre os seus apelos, um vez que até o momento nenhum diretor ou gestor da Secretaria Estadual de Educação justificou de maneira humanizada tal mudança, que compromete o acesso às salas de aula destes estudantes.

O único parecer foi através de uma fria Nota Oficial.

Além do grupo, que já está no local da manifestação, eles também convocam outros alunos que passam pela mesma situação e a população para realizarem neste sábado (13), na praça Senador Ramez Tebet, um apelo pela permanência desses alunos, do período noturno, na escola atual até o final do ano letivo.

 

Contra a transferência compulsória, estudantes da Rede Estadual manifestam indignação nesta manhã
Os alunos se mobilizaram na praça Senador Ramez Tebet para manifestarem sua indignação com o fechamento de suas turmas. Foto: Rodrigo de Freitas/Rádio Caçula

De acordo com informações, mais de 210 alunos, entre alunos da Escola Fernando Corrêa, localizada na região Central, e da Escola Estadual Prof. Luiz Lopes de Carvalho, localizada no bairro Jardim das Oliveiras, serão remanejados para a Escola Dom Aquino Corrêa, localizada no bairro Santos Dumont.

Em conversa com alunos e responsáveis, ambos se monstram inconformados com as transferências impostas pela Secretaria de Educação, uma vez que não tiveram a opção de escolha como sempre é realizado no fim de cada período letivo.

Relatam ainda que muitos alunos serão prejudicados, pois muitos não têm veículo ou meios para se deslocarem para o novo local.

Assim, pedem a colaboração da população para que essa transferência seja adiada momentaneamente, pelo menos até o final do ano letivo.

Em virtude do novo processo de reordenamento determinado pela Secretaria de Educação do Estado, que acontecerá no próximo dia 17 de julho, início do segundo semestre, neste momento, o grupo de estudante está protestando na praça Senador "Ramez Tebet", no Centro de Três Lagoas, pois pretendem assim, ganhar visibilidade sobre os seus apelos, um vez que até o momento nenhum diretor ou gestor da Secretaria Estadual de Educação justificou de maneira humanizada tal mudança, que compromete o acesso às salas de aula destes estudantes.

Contra a transferência compulsória, estudantes da Rede Estadual manifestam indignação nesta manhã 
A professora de história Sinara de Souza e o vereador Professor Flodoaldo (SD) estiveram na manifestação ao lado de outros professores, dando suporte aos alunos. Foto: Rodrigo de Freitas/Rádio Caçula

Depoimentos

De acordo com a professora de história da E.E. Fernando Correia, Sinara de Souza, a Secretaria de Educação do Estado poderia fazer uma avaliação do impacto das mudanças e disse que a maior preocupação com uma decisão tão repentina é que haja a evasão escolar e o prejuizo, no desempenho dos alunos: "Infelizmente nós estamos vivendo uma cultura em que não existe o diálogo, não se pensa na educação como deveria, como garantia fundamental para os nosso alunos" relata a professora, que acredita que a decisão não levou em consideração os alunos.

O professor de matemática e vereador Flodoaldo Moreno Junior, opina que a decisão que tem como justificativa a contenção de despesas, foi pensada em critério de "seguimento de ensino", migrando alunos de escola EJA para escola EJA e de escolas de Ensino Médio para outras escolas de Ensino Médio, ignorando a logistica de proximidade e prejudicando a mobilidade dos alunos: "A ideia de logistica mais fácil seria esquecer essa situação do seguimento EJA/Ensino médio e levasse os do Fernando Corrêa para o Edwards e levasse os alunos da Luís López para o Dom Aquino aumentando então alguns quarteirões e não quilômetros de ida e volta" opina ele que vê a ordem como "já decidida da capital" lesando os professores e alunos três-lagoenses.

Flodoaldo revelou que esteve em Campo Grande (MS) ponderando a questão dos critérios e que propôs a logistica de proximidade, ele crê que há uma possibilidade de que essa ideia seja considerada.

Para os alunos, a imposição tira da rota todos os planos, amigos e estabilidade dos estudos construidos ao longo do Ensino Médio.

A estudante Camila Ferreira Barbosa tem 16 anos e revela que sentiu o impacto, que está decepcionada e não esperava uma decisão tão repentina do Governo. Ela relata que muitos colegas, inclusive do primeiro e do segundo ano, evadiram-se da escola por conta da distância, que impossibilita o retorno tarde da noite para casa e para priorizar o trabalho, pois muitos trabalham durante o dia e foram remanejados para o ensino matutino: "A gente tinha esperanças de terminar todos juntos e unidos; o que a gente esperava para esse último ano, infelizmente, foi por água à baixo (sic)".

Censura, imposição e distanciamento

A diretora da Escola Fernando Corrêa Sônia Maria Teresinha Barbosa, ao ser procurada pela reportagem, confirmou as transferências compulsórias, porém ainda afirmou que não tem permissão para comentar sobre a transferência dos alunos do período noturno.

Diante da negativa, entramos em contato com a assessoria da Secretaria de Educação do Governo do Estado e uma nota de esclarecimento sobre esse processo de reordenamento foi dado através da seguinte nota:

Desde 2015, a Rede Estadual de Ensino (REE) passa por um processo de reordenamento, motivado pela diminuição do total de estudantes matriculados nos últimos dez anos. Entre 2010 e 2018, esse número atingiu o quantitativo de 40 mil estudantes a menos em todas as etapas ofertadas pela REE.

Em função desse número, o processo de reordenamento consiste na transferência da oferta de determinadas turmas para outras unidades escolares, em localidades próximas, sempre com o objetivo de minimizar o impacto para os estudantes.

Salientamos que este processo segue em curso e que todas as medidas serão comunicadas pela Secretaria de Estado de Educação (SED) e também pelos canais do Governo do Estado."

Fonte: Rádio Caçula/Mirela Coelho com informações de Julia Vasquez e Rodrigo de Freitas

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