Até quando Três Lagoas vai conviver com o caos da fiação urbana?

O que se vê é um jogo de empurra entre empresas de telecomunicações e a concessionária de energia, enquanto a população segue exposta a acidentes evitáveis com organização

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Até quando Três Lagoas vai conviver com o caos da fiação urbana?

Três Lagoas convive há anos com um problema que se arrasta, se agrava e já ultrapassou o limite do aceitável. Fios soltos, pendurados, arrebentados e abandonados nos postes viraram parte da paisagem urbana — apesar de representarem risco concreto à segurança de pedestres, ciclistas e motociclistas.

O episódio recente em que um motociclista teve o pescoço atingido por cabos caídos escancara, de forma dramática, a gravidade de uma situação conhecida, repetida e negligenciada.

Em diversos bairros, fiação baixa, emaranhada e com partes expostas gera medo e insegurança. Ninguém sabe dizer se os cabos estão energizados, de quem são ou quando serão retirados.

O que se vê é um jogo de empurra entre empresas de telecomunicações e a concessionária de energia, enquanto a população segue exposta a acidentes evitáveis com organização, fiscalização e decisão administrativa.

A Câmara Municipal de Três Lagoas já debateu o tema e cobrou providências da Elektro, responsável pelos postes. Houve ações pontuais, mas o problema persiste e nada adiantou.

As empresas que utilizam a infraestrutura precisam cumprir regras, identificar a fiação e pagar pelo uso. Cabos clandestinos e abandonados não podem seguir ocupando o espaço público sem controle. Quando o diálogo não resolve, medidas administrativas e punitivas precisam ser aplicadas.

Há caminho possível — e já testado. A Operação Limpa Fios, conduzida pela Agems em Campo Grande, mostrou que é viável enfrentar o problema com ação coordenada e técnica.

A retirada de milhares de metros de cabos irregulares em poucas etapas prova que o acúmulo não é inevitável; é fruto de fiscalização descontínua. O modelo pode — e deve — ser replicado em Três Lagoas, com envolvimento da agência reguladora, concessionária, empresas de internet e prefeitura.

Outro ponto indissociável do caos da fiação é o furto de cabos. O crime virou rotina e os prejuízos vão muito além da reposição de material: Interrupção de internet, praças e avenidas sem iluminação e riscos à população.

Estações da Sanesul já foram alvo de furtos sucessivos, comprometendo abastecimento e elevatórias. Praças tiveram padrões de energia arrebentados, fios subterrâneos escavados e equipamentos danificados.

Não basta repressão pontual após o crime. Se há furto frequente, há mercado comprador. Operações policiais precisam ser permanentes nos pontos de compra, comercialização e reciclagem.

Investigações minuciosas são essenciais para desarticular a cadeia criminosa. Enquanto houver quem compre, o furto continuará — com prejuízo coletivo e custos elevados aos cofres públicos.

Três Lagoas precisa transformar um problema antigo em prioridade efetiva. Fiscalização rigorosa sobre empresas, retirada sistemática de fios irregulares, adoção de modelos bem-sucedidos como o da Agems e combate firme ao furto e ao comércio ilegal formam um pacote urgente.

O diagnóstico já existe. Falta ação contínua, integrada e sem adiamentos. A cidade não pode seguir entrando e saindo de ano convivendo com riscos anunciados e soluções sempre postergadas.

 

Fonte: Da Redação

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