“Vereador serve para quê?”: Transferência de delegado regional entristece cidadão de bem que coloca Câmara de Três Lagoas contra a parede
Uma Câmara de Vereadores inteira contra a transferência e um pedido ao Governo do Estado será suficiente para manter o delegado em Três Lagoas ou ficará apenas no papel
A saída do delegado regional Dr. Ailton Pereira de Freitas, experiente e atuante na Polícia Civil de Três Lagoas e que estava no comando da Delegacia Regional desde 2022, foi transferido para a Dracco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado), sediada na capital, Campo Grande-MS.
Pela portaria, ele tem o prazo regulamentar de dez dias de trânsito para se apresentar e assumir a nova função estratégica na estrutura policial do Estado.
O caso abriu uma discussão que vai muito além dos corredores da segurança pública.
Cidadãos de bem da cidade estão insatisfeitos com a transferência e agora cobram dos vereadores uma atuação capaz de produzir resultado, e não apenas documentos, discursos e manifestações na tribuna.
O delegado acumulou experiência sobre a realidade criminal do município e da região. Conhece bairros, áreas consideradas críticas, dinâmica das ocorrências e mantém relacionamento institucional construído ao longo do tempo com as demais forças de segurança.
Por isso, a notícia de sua transferência provocou reação
E, no meio da indignação, uma pergunta começa a aparecer entre os três-lagoenses: Se os vereadores de Três Lagoas representam a população, o que efetivamente conseguem fazer para tentar impedir a saída de um profissional considerado importante para a segurança do município?
Câmara reagiu, mas população quer resultado
Durante sessão extraordinária da Câmara Municipal, houve manifestação contrária à transferência e foi aprovado um pedido formal ao Governo de Mato Grosso do Sul para que a decisão seja revista.
Os parlamentares defendem que o trabalho desenvolvido pelo delegado está consolidado e que sua saída poderá representar uma perda para o comando regional da Polícia Civil.
A iniciativa é válida. Mas para parte da população, ofício sozinho não basta.
É justamente aí que cresce a crítica. Moradores querem saber se haverá pressão política efetiva junto ao Governo do Estado, articulação com deputados estaduais, reuniões com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública e cobrança direta ao Executivo estadual.
A população quer saber, sobretudo, se a mobilização conseguirá mudar alguma coisa.
“Vereadores não servem para nada”: crítica ganha força nas ruas
A frase é pesada, mas traduz o sentimento manifestado por parte dos moradores diante de situações em que decisões importantes para Três Lagoas parecem ser tomadas longe do município.
“Para que servem os vereadores?”
A pergunta não significa que a Câmara tenha poder jurídico para simplesmente cancelar uma transferência administrativa da Polícia Civil — não tem. Essa decisão não cabe ao Legislativo municipal.
Mas vereador também exerce representação política e fiscalização dos interesses do município. E é justamente essa força política que agora está sendo colocada à prova.
Três Lagoas não é uma cidade pequena e sem importância estratégica. É um dos principais polos econômicos de Mato Grosso do Sul, cresce rapidamente, recebe milhares de trabalhadores e possui desafios cada vez maiores na segurança pública.
Se existe um profissional experiente, adaptado à realidade regional e com anos de atuação no município, por que retirá-lo?
Essa é a explicação que a população merece receber dos políticos locais e do Governo do Estado.
Segurança pública não pode virar dança das cadeiras
Trocar um comando experiente não significa necessariamente que seu substituto será menos competente. Seria irresponsável fazer essa afirmação antes mesmo da definição do novo delegado.
A questão levantada é outra.
Qual a justificativa para mexer em uma estrutura que, na avaliação de vereadores e de parte da população, vem funcionando?
Quem trabalha durante anos em determinada região acumula conhecimento que não aparece em portarias: conhece os pontos problemáticos, as características da criminalidade local, as instituições, as equipes e a dinâmica de uma cidade com mais de 140 mil habitantes. Essa experiência possui valor operacional.
Agora é hora de mostrar força política
Os vereadores já fizeram o pedido de reconsideração. Agora os três-lagoenses aguardam para saber até onde irá essa mobilização.
Se o Governo mantiver a transferência, caberá aos parlamentares explicar à população quais medidas adotaram, quais respostas receberam e por que não conseguiram convencer o Estado a rever a decisão.
Criticar por criticar é fácil. O que o cidadão quer é resultado
Os vereadores não possuem a caneta que determina a transferência de um delegado, mas possuem voz política para defender os interesses de Três Lagoas. E neste caso, essa voz está sendo testada.
Enquanto a definição não acontece, fica a pergunta que certamente provocará debate entre os três-lagoenses:
Uma Câmara de Vereadores inteira contra a transferência e um pedido ao Governo do Estado será suficiente para manter o delegado em Três Lagoas ou ficará apenas no papel?
Fonte: Marco Campos / Da Redação
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