Violência contra a mulher dispara alerta: Três Lagoas soma 616 ocorrências e mais de 500 medidas protetivas em 2026
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190
Em apenas sete meses, município registrou 616 ocorrências de violência doméstica; somente no primeiro semestre e mais de 560 medidas protetivas foram concedidas
Os números preocupam e mostram que a violência dentro de casa continua sendo um dos grandes desafios da segurança pública em Três Lagoas. Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 616 boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica, conforme dados divulgados com base nos registros policiais.
O total representa 28 ocorrências a mais que no mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados 588 registros. O crescimento é de aproximadamente 4,8%.
Na prática, foram quase três registros de violência doméstica por dia nos primeiros sete meses deste ano.
E existe outro número que chama ainda mais atenção: somente no primeiro semestre de 2026 foram contabilizadas 564 medidas protetivas em Três Lagoas, segundo informações divulgadas a partir do Monitor da Violência Contra a Mulher.
Março teve mais de 100 ocorrências
Quando os números são separados por mês, é possível perceber a frequência com que situações envolvendo violência doméstica chegam ao conhecimento das autoridades.
Março foi o mês mais preocupante, com 108 registros. Abril apareceu em seguida, com 95 ocorrências, enquanto junho teve 88 casos.
Os dados representam somente situações que chegaram ao conhecimento das autoridades. Por isso, é importante considerar que pode existir subnotificação, já que algumas vítimas, por medo, dependência financeira, ameaças ou outras circunstâncias, podem não procurar imediatamente a polícia.
Mais de 560 medidas protetivas em seis meses
O volume de medidas protetivas também demonstra a dimensão do problema. Foram 564 somente entre janeiro e junho, média superior a três medidas por dia.
Essas medidas são instrumentos previstos pela Lei Maria da Penha para proteger mulheres em situação de violência. Dependendo do caso e da determinação judicial, podem estabelecer, por exemplo, o afastamento do agressor do lar e a proibição de aproximação ou contato com a vítima.
E descumprir uma medida protetiva pode resultar em prisão, conforme estabelece a legislação.
Violência nem sempre começa com agressão física
Outro ponto que precisa ser lembrado é que violência contra a mulher não se resume a socos, chutes ou outras agressões físicas.
A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Ameaças, humilhações, perseguição, controle excessivo, destruição de objetos, retenção de dinheiro ou documentos e outras condutas podem fazer parte de um ciclo de violência.
Por isso, identificar os primeiros sinais e buscar ajuda pode impedir que a situação se agrave.
Comparação com 2025 preocupa
Em todo o ano de 2025, Três Lagoas registrou 1.085 ocorrências de violência doméstica, segundo levantamento divulgado a partir dos registros da Polícia Civil.
Agora, 2026 já acumula 616 registros somente até julho.
Caso a média observada nesses sete primeiros meses permanecesse até dezembro, Três Lagoas poderia terminar o ano acima de mil ocorrências novamente. Trata-se apenas de uma projeção matemática, e não de uma previsão oficial.
Denunciar pode interromper o ciclo
Os números também mostram a importância da atuação da Polícia Militar, Polícia Civil, Delegacia de Atendimento à Mulher, Judiciário e demais integrantes da rede de proteção.
Mas existe uma participação fundamental: a denúncia.
Vizinhos, familiares e amigos que percebam sinais de violência não devem simplesmente considerar que se trata de uma “briga de casal”.
A violência doméstica pode evoluir e chegar a consequências extremamente graves.
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, também recebe denúncias e fornece orientações.
Os 616 registros e mais de 500 medidas protetivas deixam uma mensagem clara em Três Lagoas: violência contra a mulher não é problema particular de um casal. É uma questão de segurança pública e de toda a sociedade.
Fonte: Marco Campos / Da Redação e foto: Ilustração
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