“Casa do Povo” ou “Casa do Prefeito”? Câmara Municipal de Três Lagoas precisa mostrar independência e ouvir mais as reinvindicações; diz população
Em Três Lagoas, porém, uma pergunta incômoda merece ser feita: o Legislativo está exercendo plenamente sua independência ou está próximo demais do Executivo?
A Câmara Municipal é conhecida popularmente como a “Casa do Povo”. É ali que os vereadores, eleitos diretamente pela população, deveriam transformar reclamações dos bairros em fiscalização, cobranças, debates e propostas.
Em Três Lagoas, porém, uma pergunta incômoda merece ser feita: o Legislativo está exercendo plenamente sua independência ou está próximo demais do Executivo?
A provocação ganha força diante de reclamações de moradores que procuram vereadores para pedir soluções para problemas cotidianos — buracos, trânsito, iluminação, saúde, limpeza, segurança e infraestrutura — e dizem não encontrar a resposta esperada.
É importante fazer uma distinção: não há base para afirmar simplesmente que “a Câmara pertence ao prefeito” ou que todos os vereadores deixam de fiscalizar. Isso seria uma acusação que precisaria de provas.
O que pode e deve ser discutido é se existe independência política suficiente para que o Legislativo cobre o Executivo quando necessário.
Vereador não foi eleito para ser secretário do prefeito
O próprio Regimento Interno define a Câmara de Três Lagoas como o local onde se exerce o Poder Legislativo municipal, formado por vereadores representantes do povo. Atualmente são 15 parlamentares, distribuídos por diferentes partidos.
E aqui está o ponto central: vereador não é funcionário do prefeito.
A boa relação entre Prefeitura e Câmara pode beneficiar a cidade e permitir a aprovação de projetos importantes. Entretanto, harmonia entre os poderes não pode significar ausência de cobrança.
O vereador também existe para fiscalizar a aplicação do dinheiro público, questionar decisões, cobrar secretários, discutir projetos enviados pelo Executivo e representar demandas da população.
Proximidade entre Câmara e Prefeitura é evidente
Há exemplos públicos de forte interlocução entre os dois poderes. Em fevereiro, na abertura dos trabalhos legislativos, o prefeito Cassiano Maia apresentou na Câmara o planejamento da administração para 2026, ocasião em que o Legislativo anunciou a devolução de mais de R$ 13,3 milhões economizados no ano anterior aos cofres municipais.
Em maio, Câmara e Prefeitura participaram conjuntamente da posse de conselheiros municipais, ocasião descrita oficialmente pelo Legislativo como demonstração de “unidade entre os poderes”.
Essa aproximação, por si só, não representa irregularidade. Executivo e Legislativo precisam dialogar. A questão política é outra: quando surgir um problema grave da administração, essa mesma Câmara terá disposição para cobrar, investigar e contrariar o Executivo se for necessário?
A população precisa enxergar fiscalização, não apenas indicações
Indicações para tapa-buracos, limpeza de terrenos, sinalização ou melhorias nos bairros têm importância. Mas o trabalho parlamentar não pode se resumir a encaminhar pedidos.
Três Lagoas é uma cidade em expansão e possui problemas complexos. Isso exige vereadores presentes nos bairros, discutindo orçamento, fiscalizando contratos e obras, acompanhando serviços públicos e cobrando resultados.
A Câmara inclusive demonstrou capacidade de interferir em matérias relevantes: na discussão da atualização do Plano Diretor, vereadores apresentaram emendas ao projeto originalmente encaminhado pelo Executivo.
É justamente esse protagonismo que precisa aparecer constantemente.
A “Casa do Povo” precisa ter as portas abertas para a cobrança
Não se trata de defender oposição por oposição. Um projeto bom para Três Lagoas deve ser aprovado independentemente de quem o apresentou. Da mesma forma, um problema da Prefeitura precisa ser apontado independentemente de amizade, partido ou alinhamento político.
Vereador não precisa ser inimigo do prefeito. Mas também não pode funcionar como simples extensão do gabinete do Executivo.
A democracia municipal funciona melhor quando existe Prefeitura administrando, Câmara legislando e fiscalizando e população cobrando os dois lados.
Por isso, talvez a pergunta mais importante para os três-lagoenses seja:
A atual Câmara Municipal está sendo realmente a “Casa do Povo” ou está próxima demais da Prefeitura? E qual vereador tem levado e resolvido as reivindicações do seu bairro?
Fonte: Marco Campos / Da Redação
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